Performance and social change

Teatro do Oprimido no Movimento do Sem Terra (Brasil)

http://terraemcena.blogspot.com/2015/07/a-experiencia-do-mst-com-teatro-do.html

Os três autores dessa semana, Diana Taylor, Bertolt Brecht e Augusto Boal, destacam o potencial de transformação social do teatro e da performance. Em seu livro Diana Taylor realiza a tarefa árdua (devido a amplitude de significados) de analisar a performance: “Lo que es, lo que hace, lo que nos permite teorizar y la importancia de entender su compleja relación con los sistemas de poder” (14). Taylor apresenta as diversas perspectivas sob as quais é possível ver a performance, mas há uma ideia no livro que me parece central: a performance é “una práctica y uma epistemologia, uma forma de compreender o mundo y un lente metodológico” (31). A questão com a qual Taylor conclui o texto, “si el performance es un acto político por definición, o si lo político siempre es performance”, está diretamente conectada com as questões que os outros dois autores buscaram tratar em suas práticas artísticas. Augusto Boal via no teatro uma arma muito eficiente de transformação social. Por isso, como ele explica no livro Teatro do oprimido, dedicou a sua vida para a criação de metodologias eficazes em transferir os meios de produção do teatro para o povo, para as comunidades, para as os estudantes, para os movimentos sociais. Para Boal, o a poética de Aristóteles, que pressupõe o espectador como “vítima passiva”, é um sistema opressor de teatro, pois nele são delegados “poderes aos personagens para que atuem e pensem em seu lugar” (180). Boal propõe, portanto, que a plateia passe de espectadores para espec-atores, não só do teatro, mas de suas próprias vidas e da revolução social e política. Bertolt Brecht, por meio das suas setenta e sete proposições no Pequeno Organon para o Teatro, toca na dimensão pedagógica da cena e em como a atuação e a encenação devem se dar para que ocorra a conscientização do espectador (e não somente a identificação acrítica do teatro dramático burguês). Os três textos apresentam a performance e o teatro como práticas potentes de transformação social, mas também como lentes com as quais os artistas e os espectadores, ou melhor, espec-atores, podem perceber, como afirma Taylor, “os complexos sistemas de poder”.