Enquanto lia os textos foi impossível não pensar sobre a atual situação política do Brasil. A ideia de antagonismo de Chantal Mouffe parece muita adequada para analisar o retorno do autoritarismo no país. O antagonismo destrutivo, ou seja, radicalização da divisão entre nós e eles, a tentativa de aniquilação de tudo que é identificado por “eles” (ou por “nós”) como sendo ligado a “nós” (ou “eles”), a identificação do “outro” como inimigo, o não reconhecimento da pluralidade e a não lealdade aos princípios democráticos definem perfeitamente o que acontece atualmente no Brasil. A visão de Mouffoe sobre a importância das práticas artísticas e culturais na resistência contra hegemônica e a ideia de partilha do sensível de Rancière me levou a pensar sobre as instâncias que são os principais alvos de ataques do governo atual. A educação e a arte, assim como os seus agentes, suas instituições, seus temas, seus conteúdos e seus símbolos, vêm sofrendo constantes ataques no Brasil desde 2016. A noção de partilha do sensível como “o sistema de evidências sensíveis” que revela que pode e quem não pode tomar parte, quem pode e quem não pode participar, me lembra a ideia defendida por Jorge Larrosa da escola como “tempo livre”, ou seja, como um tempo/espaço no qual todos podem participar. O ataque a escola e a universidade pública no Brasil, assim como aos artistas, as obras e instituições de arte, tem claramente o objetivo de aniquilar os espaços da participação democrática, espaços onde a crítica e a prática do agonismo ainda parecem possíveis. Os textos me instigaram a pensar também nas formas de resistência contra o autoritarismo que surgem no âmbito educacional e artístico no Brasil contemporâneo.